
Setor de tecnologia alerta para risco na adoção da reforma tributária em 2027
A poucos meses da data marcada para o início da cobrança dos novos tributos previstos na reforma tributária — o IBS e CBS, a partir de 1º de janeiro de 2027 — entidades do setor de tecnologia da informação manifestaram preocupação pública a respeito da viabilidade do cronograma. Afinal, um prazo insuficiente para a implementação pode comprometer toda a operacionalização do novo sistema tributário, gerando impacto direto sobre empresas, governo e o mercado.
Contexto
A reforma tributária vigente propõe a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), com alterações substanciais na forma de arrecadação de tributos no país. O setor de tecnologia da informação e comunicação (TIC) figura entre os mais impactados visto que sistemas de gestão fiscal, ERP e automação precisam se adequar integralmente ao novo modelo. Em um ofício enviado ao Ministério da Fazenda, Receita Federal e ao Comitê Gestor do IBS — entidades governamentais-chave no processo — cinco associações representativas da indústria de software e TI alertam para o chamado "risco de concretização" do modelo.
O que mudou
Conforme o memorando tornado público em julho de 2026, as entidades destacam que a organização e a transição para o IBS e CBS demandam mais tempo do que o atualmente disponível. Embora o prazo legal esteja mantido para o início da cobrança em janeiro de 2027, o setor afirma que a infraestrutura tecnológica, capacitação dos profissionais e ajustes regulatórios ainda não estão em estágio suficiente para essa mudança radical. A manifestação oficial é um fato que confirma discordância quanto à pressa no calendário, podendo resultar em revisões no cronograma ou mesmo em atrasos.
Impactos para negócios
Se a implementação não ocorrer conforme planejado, há o risco de instabilidade fiscal para empresas que operam com grande volume de dados tributários, especialmente aquelas dependentes de sistemas digitais para emissão de notas fiscais e controle de impostos. A incerteza sobre o modelo pode criar gargalos operacionais, prejudicar o planejamento financeiro e aumentar custos por necessidade de revisões frequentes nos sistemas. Para gestores, passar por esse período de transição sem clareza no âmbito regulatório implica riscos ampliados de compliance e auditabilidade. O futuro do setor de tecnologia, portanto, está diretamente atrelado à capacidade de adaptação e diálogo entre governo e indústria.
Perguntas em aberto
Entre as dúvidas que permanecem, estão: o governo vai dialogar para estender o prazo de implementação? Quais áreas específicas do setor de tecnologia estão mais atrasadas? Haverá recursos adicionais para suporte à adequação das PMEs e outros negócios que dependem desses sistemas? Além disso, o impacto para demais setores — que também dependem da infraestrutura tributária — não está claro, tampouco a estratégia para mitigar eventuais falhas operacionais no momento da transição.
O que observar
O calendário oficial e as respostas dos órgãos responsáveis pelo IBS e CBS devem ser acompanhados com atenção. Declarações públicas, reuniões entre governo e associações setoriais, e eventuais modificações legais ou técnicas serão sinais cruciais para entender se a reforma avançará conforme previsto. Para empresas, a observação do desenvolvimento dos sistemas e a adaptação de suas equipes são medidas fundamentais para evitar surpresas negativas. O acompanhamento da posição da Receita e a eventual flexibilização de regras podem indicar caminhos que minimizem o risco de paralisação abrupta no sistema tributário.
A discussão envolvendo o setor de tecnologia e o governo expõe mais uma vez o desafio central da reforma tributária no Brasil: equilibrar inovação e modernização fiscal com a complexidade prática de implementação.
Fonte: Folha